De onde vem a assistência social brasileira, como um CRAS funciona por dentro — e o quanto desse mundo o SIABES já colocou de pé. Este é o deck-mãe: dele partem os volumes que aprofundam cada pedaço (a Proteção Social Básica e seus três serviços).
Role para começar — a biblioteca completa está na seção 09 ↓
Até 1988, assistência social no Brasil era sinônimo de caridade: primeiras-damas, filantropia, favores. A Constituição mudou a natureza da coisa — assistência virou direito de quem precisa e dever do Estado, independente de contribuição. O SUAS é a engenharia que tornou esse direito operável em 5.570 municípios.
Assistência social entra no tripé da Seguridade Social, ao lado da saúde e da previdência.
A Lei Orgânica da Assistência Social regulamenta o direito e cria o desenho de gestão.
A Política Nacional define os conceitos-chave: território, matricialidade, proteções.
Nasce o sistema único, inspirado no SUS. Em 2011 vira lei (Lei 12.435).
Resolução CNAS 109: o "cardápio" nacional de serviços — incluindo o PAIF.
O SUAS está para a assistência social como o SUS está para a saúde: um sistema único nacional, com regras federais, gestão municipal e portas de entrada no bairro. Se você entende que o posto de saúde segue protocolos do Ministério da Saúde, já entendeu por que o CRAS segue normas do MDS — e por que o nosso sistema precisa falar essa língua.
O SUAS organiza tudo por gravidade da situação. A pergunta que define onde a família será atendida é: o direito já foi violado, ou estamos prevenindo?
A casa da prevenção, no território onde as famílias vivem. Três serviços tipificados: PAIF (acompanhamento familiar), SCFV (grupos de convivência) e PSB no Domicílio (idosos e PCD). É aqui que o SIABES vive hoje.
→ Volume 2: o guia da Proteção Social BásicaQuando o direito já foi violado: violência doméstica, trabalho infantil, abandono. Média complexidade (CREAS/PAEFI) e alta complexidade (acolhimento institucional, quando a família deixa de ser segura).
Pense em manutenção preventiva vs. corretiva. O CRAS é a revisão periódica do carro: barata, no bairro, evita o problema grave. O CREAS é a oficina de retífica: caro, especializado, entra quando o motor já fundiu. Todo o desenho do SUAS existe para que o máximo de famílias resolva sua situação na "revisão" — e o SIABES é o sistema da revisão.
Dois princípios amarram tudo: territorialização (cada CRAS é responsável por um pedaço da cidade — as famílias daquele território são referenciadas a ele) e matricialidade sociofamiliar (a unidade de trabalho é a família, nunca o indivíduo isolado).
Quando você desenha uma tela, é pra uma dessas pessoas. Cada uma vê o sistema de um jeito diferente — e o permissionamento existe por causa disso.
Quem tem o direito. Chega por demanda espontânea, busca ativa ou encaminhamento (escola, saúde, Conselho Tutelar). No sistema: Pessoa + Família + composição.
O primeiro contato. Cadastra, agenda, orienta. Vê dados cadastrais — nunca o conteúdo sigiloso do prontuário técnico.
Assistente social ou psicólogo. Faz escuta qualificada, atendimentos, visitas, conduz grupos, decide inclusão no PAIF. Dono do prontuário.
Coordena o CRAS: distribui casos, supervisiona o trabalho, responde pelos números da unidade. Acesso amplo dentro da unidade.
Gere a rede toda: unidades, equipes, vagas, metas. É nosso cliente contratante — e quem presta contas ao governo federal.
Define as normas, cofinancia e cobra os números: RMA mensal, Censo SUAS, SISC. Não usa o SIABES — mas recebe dados que nascem nele.
A melhor forma de sentir a regra de negócio é seguir uma família fictícia de ponta a ponta. Cada parada da jornada mostra qual parte do SIABES já resolve aquele momento.
Dona Maria perdeu o emprego e ouviu na escola do filho que "o CRAS ajuda". A recepção a acolhe e verifica: ela já tem cadastro? Busca por nome e CPF.
social.peoplebusca de pessoasÉ a primeira vez dela. Cadastra-se a pessoa, cria-se a família com Dona Maria como responsável familiar, adicionam-se os dois filhos com grau de parentesco, e o endereço — que referencia a família ao CRAS do território.
social.familiesperson_has_familiesfluxo em steps no frontUma técnica faz o primeiro atendimento: escuta a história, percebe insegurança alimentar e um filho fora da escola. Registra o atendimento com estado e linha do tempo.
attendance.attendancestimeline recursivaNecessidade imediata primeiro: a técnica providencia uma cesta básica. A entrega fica registrada — quem recebeu, quando, entregue por quem.
benefit_deliveredmódulo benefitA situação não se resolve com uma cesta: há vulnerabilidades que pedem acompanhamento continuado. A técnica decide incluir a família no PAIF (volume 3), registra o diagnóstico de inclusão e assume como técnica de referência.
paif.participationsinclusion_diagnosticsaba PAIF do prontuárioNos meses seguintes: atendimentos particularizados vinculados à participação, uma visita domiciliar para conhecer a realidade da casa, o filho adolescente entra num grupo do SCFV (volume 4) com controle de frequência. Cada contato vira registro de evolução.
evolution_recordsvisit.visitscollective_attendance (grupos)Um ano depois: Dona Maria empregada, filho de volta à escola. A técnica registra o desligamento — motivo, evolução final, vulnerabilidades remanescentes. A família continua cadastrada e referenciada; o episódio se encerra, o histórico permanece.
paif.closureshistórico de participaçõesQuase toda parada da jornada já tem módulo construído no SIABES. O sistema não é um cadastro com telas soltas — ele já desenha o fluxo real de trabalho de um CRAS, do primeiro "bom dia" ao desligamento.
Os volumes se organizam como o próprio SUAS: este deck é o mapa geral; dele desce a Proteção Social Básica (o andar onde o SIABES vive); e dela descem os três serviços tipificados. Leia nessa ordem se estiver começando — ou pule direto pro serviço que a reunião de hoje pede.
O sistema inteiro: de onde vem, como se organiza, quem é quem no CRAS, a jornada da Dona Maria e o inventário do que o SIABES já construiu.
O andar da prevenção: o que é a PSB, seu público, o tripé de serviços tipificados e a diferença entre serviço, benefício e programa.
→ Abrir o volume 2O serviço-eixo da PSB: acompanhamento continuado por família, ciclo inclusão → acompanhamento → desligamento, sigilo e a tradução para o schema paif.
O braço coletivo: grupos por ciclo de vida, o reordenamento de 2013, público prioritário, SISC e a jornada do participante no SIABES.
→ Abrir o volume 4O serviço que atravessa a porta: pessoas idosas e com deficiência, e a distinção decisiva entre visita domiciliar (instrumento) e serviço no domicílio (acompanhamento).
→ Abrir o volume 5Todos os volumes linkam de volta pra cá na capa — se perder o fio, é só subir.
O "SUS da assistência": rede nacional, gestão municipal.
Porta de entrada no bairro. Prevenção. Onde o SIABES opera.
Atende direito já violado (violência, abandono). Serviço: PAEFI.
Prevenir vs. reparar. O SIABES hoje é um sistema de PSB — volume 2.
Os grupos e oficinas por ciclo de vida — volume 4.
Normatiza, cofinancia e cobra números do município.
O relatório mensal CRAS → MDS. Nossos dados alimentam ele.
Base federal de famílias de baixa renda (Bolsa Família, BPC). Sistema do governo — vizinho do nosso, não concorrente.
A lei-mãe que regulamenta o direito constitucional.
Regras de gestão e de equipes mínimas obrigatórias por unidade.
A gestão municipal — nosso cliente contratante.
SIABES · AE3 Tecnologia — material interno de estudo do time de produto. A biblioteca completa da série está na seção 09.