O terceiro serviço tipificado da proteção básica existe para uma pergunta simples: e quem não consegue chegar ao CRAS? Para a pessoa idosa e a pessoa com deficiência, o serviço vai até a casa.
Role para começar ↓
Nome completo na Tipificação (Resolução CNAS 109/2009): Serviço de Proteção Social Básica no Domicílio para Pessoas com Deficiência e Idosas. O objetivo é prevenir agravos que possam romper os vínculos familiares e sociais — o isolamento dentro da própria casa, o asilamento evitável, a perda de acesso a direitos por pura impossibilidade de locomoção.
Como o PAIF, tem começo, meio e fim: não é uma visita avulsa, é um plano de acompanhamento em casa, com periodicidade.
A meta silenciosa: evitar que a resposta ao idoso dependente seja o abrigo. Fortalecer o cuidado dentro da família e do território.
Como todo serviço de PSB, é referenciado ao CRAS do território e conversa o tempo todo com o PAIF e o SCFV.
É o "home care" da assistência social — com a diferença essencial de sempre: o que se cuida em casa não é a saúde do corpo, é o vínculo e o acesso a direitos. O fisioterapeuta domiciliar trabalha o movimento da perna; o técnico do SUAS no domicílio trabalha para que aquela pessoa continue sendo parte da família, da vizinhança e das políticas públicas — mesmo sem sair de casa.
O público é específico e nomeado pela Tipificação:
Especialmente quem vive só ou com dependência, beneficiários do BPC, e famílias em que o cuidado sobrecarrega um único cuidador.
Com prioridade para beneficiárias do BPC e para quem está isolado do convívio e dos serviços por barreiras de mobilidade e acessibilidade.
Repare no padrão: é o mesmo público do BPC. Não por acaso — o benefício garante a renda, e este serviço garante que a renda não seja a única presença do Estado na vida da pessoa.
O equivalente domiciliar do plano de acompanhamento do PAIF: objetivos pactuados com a pessoa e a família, revisados periodicamente.
Encontros regulares no domicílio, com registro do que foi trabalhado — não confundir com visita pontual de averiguação.
A família entra no PAIF quando precisa; a pessoa é reconectada ao SCFV quando possível; a saúde (atenção domiciliar) e o BPC orbitam o caso.
O serviço no domicílio é um acompanhamento que usa visitas, não um monte de visitas. A diferença parece sutil, mas define modelagem: precisa de um episódio com início, plano, vigência de responsável e desfecho — como a participação do PAIF — e não apenas de registros soltos de visita.
Essa é a confusão mais comum — e a mais importante de desfazer para modelar o sistema certo:
visit — agendamento, execução, resultado, comprovanteA visita domiciliar está para o serviço no domicílio como uma consulta está para um tratamento: o serviço é a série organizada com propósito; a visita é cada ida. Registrar só as idas, sem o episódio que as organiza, é perder a história — o mesmo raciocínio que separou "atendimento" de "participação PAIF" no volume 3.
SIABES · AE3 Tecnologia — material interno de estudo do time de produto.